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Ando rabiscando umas letras por aí...

Arquivo: Outubro 2007

10/10/2007 GMT 1

Você existe

jayni @ 02:59

Cada vez que você para e lê minhas palavras,
mesmo que não goste,
você existe para mim.
Cada vez que você vê sua face refletida numa superfície,
você existe para você
Cada vez que você ri, chora, pensa, fala, toca, bate, abraça, beija, sonha, trabalha, come, .. ama, na companhia de alguém,
você existe para alguém.
Cada vez que você se informa, se pronuncia e age a respeito de algo em prol da coletividade,
você existe para o mundo.
Quando você fica triste, entediado, deprimido ou irado, você existe?
Quando você fica indiferente a dor do mundo ao seu redor, porque não compreendes nem a sua própria dor, você existe?
A resposta é: Sim, existe também, e és importante para o mundo, do jeito que for..
Porque é assim que somos:
as vezes somos luz e as vezes somos trevas,
capazes de semear a paz e também a guerra;
somos o positivo e o negativo.
O bem e o mal habitam dentro de nós tornando-nos santos e pecadores ao mesmo tempo.
Somos assim... sempre contrastantes... sempre humanos.
Por isso EXISTIMOS.

Jayni Paula
Publicado no Recanto das Letras em 23/08/2007
Código do texto: T619686

Vida e equilibrio

jayni @ 02:54

A vida não tece apenas uma teia de perdas,
mas nos proporciona uma sucessão de ganhos.
O equilíbrio depende muito do que soubermos e quisermos enxergar.

18/8/2007

De olhos bem fechados

jayni @ 02:40

Parei! Não posso seguir adiante, nem posso recuar. E agora?
Fecho os olhos e oro a Deus que me dê a mão e me conduza para um lugar seguro. Com os olhos bem fechados, sem olhar para os pés, confio meus passos ao meu guia.
É comum na jornada da vida, por vezes nos encontrarmos em trilhas claras, agradáveis, planas e seguras, e derrepente a trilha se torna íngreme, tortuosa, escura e ladeada de precipícios, muito perigosa.
Para percorrer o caminho rumo a felicidade, não inventaram ainda bússolas nem mapas, e diante das inúmeras bifurcações do trajeto, temos a todo instante de optar em seguir por aqui ou por ali sem certeza de nada, com fé e coragem. É claro que muitas vezes temos de recuar, machucados e temerosos. Mas, todo dia o sol se levanta e nos renova as energias para prosseguir - sozinhos ou segurando na mão de Deus (de verdade). É bom caminhar com Ele pois a necessidade de alcançar a felicidade é transcedente - ela está muito além...
Jayni Paula
Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2007
Código do texto: T687320

02/10/2007 GMT 1

Ao meu pai

jayni @ 19:17

Meu Pai:
Nunca te vi
E nunca te amei
Você não me quis
Será que um dia você pensou em mim?
Eu muitas vezes pensei em você
E não foi fácil viver bem
Ser auto suficiente apesar de você.

Não me perdi,
Não te esqueci.
Se te encontrasse um dia
Não saberia o que lhe dizer
Nem se quereria te ouvir
Porque agora o tempo já gastou a vontade de te querer.
Não te quero bem
Mas também não te quero mal.
Você não merece meus sentimentos.
Melhor talvez seja nunca saber nada de você.

Jayni Paula
Publicado no Recanto das Letras em 30/09/2007
Código do texto: T675259

COMO VENCER A POBREZA E A DESIGUALDADE

jayni @ 05:15

A primeira vez que eu me dei conta da pobreza e desigualdade do mundo, eu era criança ainda e percebi que o filho do farmacêutico, meu vizinho, havia ganhado de presente de Natal uma bicicleta e que o filho do seu empregado havia ganhado um caminhão de plástico. Então o Papel Noel não era igual para todos?
Após a primeira lição na vida do que era desigualdade, tive a segunda lição do que poderia ser feito para diminuir essa desigualdade. Havia ido passar as férias escolares na casa de minha avó, Dª Geralda, que era viúva e ganhava seu sustento lavando e passando roupas para famílias que contratavam seus serviços. Era uma pessoa religiosa, que aprendera a partilhar o pouco que tinha com os pobres. Ensinou-me que o agasalho que já não me servia mais podia agasalhar um pobre. Que se eu tivesse um bom sapato e viesse a ganhar outro par, deveria dar um destes para alguém que não tinha nenhum. E que se assim eu procedesse, nada haveria de me faltar, porque ela lera na Bíblia que é dando que se recebe e que ela, ao agir dessa maneira, nada de essencial lhe havia faltado.
Hoje, relembrando essas lições, penso que se cada um de nós tivéssemos apenas o necessário para nossa sobrevivência, não existiria a pobreza nem a desigualdade. Mas como fazer isso? Como extirpar do coração do homem a indiferença que é a origem desse grande mal? Será possível?
Muitas guerras e revoluções já se travaram no mundo real motivadas por esse dilema, que ainda perdura em nossos dias atuais, mas em contraponto, com cada vida que surge, renasce junto à esperança de que pessoas novas, com idéias novas, ânimo novo, vivendo em épocas de novos desafios, com novos instrumentos, possam travar a batalha final e vencer, fazendo com que as palavras: fome, doença, analfabetismo, desemprego, violência, corrupção e miséria, que são as raízes da desigualdade, constem apenas nos livros de histórias que leremos um dia para os nossos filhos, pois tais fatos já não ocorrerão desde o dia em que a humanidade toda se empenhou para essa vitória, cooperando e partilhando suas riquezas e conhecimentos uns com os outros e eliminando as fronteiras que dividiam as nações tornando-se assim uma imensa e única aldeia global, não de povos dominadores e de dominados, mas de fraternidade, liberdade e igualdade. E como tornar esse sonho em realidade? Creio que pelo começo, tal qual se aprende a ler e escrever, onde primeiro se rabisca e desenha às primeiras letras, para depois formar as sílabas, e um dia chegar a escrever uma enciclopédia inteira, se este for o objetivo; ou o compositor que aprende as escalas musicais e depois de praticá-las bastante, consegue um dia compor uma sinfonia, se este for seu objetivo.
Se acabar com a pobreza e a desigualdade for o objetivo de todos, haveremos de completar uma grandiosa obra, principiando com as letras das palavras:
C-R-I-A-T-I-V-I-D-A-D-E—E— S-O-L-I-D-A-R-I-E-D-A-D-E-!

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